quarta-feira, 13 de junho de 2012
Vitória de Bradley sobre Pacquiao será revista pela OMB
A Organização Mundial de Boxe (OMB) anunciou nesta quarta-feira que revisará o resultado da polêmica luta entre Timothy Bradley e Manny Pacquiao, ocorrida no último sábado. Na ocasião, Bradley foi declarado vencedor por pontos, em decisão dividida que foi amplamente questionada, e ficou com o cinturão dos meio médios da organização.
O presidente da entidade, Francisco Valcárcel, apontou, em comunicado, que um comitê se reunirá em breve "com cinco juízes reconhecidos internacionalmente para avaliar o vídeo da luta e, segundo o que for decidido, fará sua recomendação de acordo com as regras".
Valcárcel, no entanto, descartou qualquer tipo de suspeita sobre uma possível manipulação do resultado. "Quero deixar claro que de nenhuma maneira isto quer dizer que estamos duvidando da capacidade destes juízes, a quem consideramos honestos e competentes", afirmou.
Na luta do último sábado, Bradley venceu por 115 a 113 na decisão de dois juízes e foi derrotado pelo mesmo placar na decisão do outro. Especialistas do esporte criticaram a decisão, apontando que Pacquiao deveria ter sido declarado vencedor. O presidente da empresa promotora do evento chegou a solicitar que o resultado fosse investigado.
Análise: Não há saída fácil para o conflito sírio
O editor-chefe do escritório da BBC no Oriente Médio,
Paul Danahar, esteve recentemente na Síria onde viu uma população
vivendo em estado de medo e desconfiança. Ele explica abaixo as
dimensões do conflito e por que uma solução está se provando muito
difícil.
Veja a análise:
A comunidade internacional passou muito tempo vendo o conflito sírio através do prisma de outros levantes árabes. O regime parecia apenas mais um dominó esperando para cair. O mundo enxergava então a crise em preto e branco.
O conflito complicou-se e hoje tem inúmeros tons de cinza. Além do Exército e dos manifestantes surgiram elementos novos.
A escala do levante pressiona o regime de Bashar al-Assad, que só confia em suas brigadas militares mais leais para enfrentar crises graves. O governo teme que ocorram deserções se eles pedirem aos soldados comuns que abram fogo contra civis.
Mas não havia unidades de elite suficientes para combater os focos de combate e, em seguida, manter o terreno conquistado. Então, o governo criou as milícias, ou shabiha, para essa tarefa.
Eles fizeram um alerta à comunidade muçulmana alauíta, que controla a maior parte do poder e as Forças Armadas e da qual o próprio Assad é integrante: "Esta não é uma revolução da Síria, é uma revolução (muçulmana) sunita. Fiquem do lado certo."
O governo então armou as milícias.
A maioria das pessoas que conheci na Síria acredita que, enquanto as milícias atuam em conjunto com o Exército para manter áreas conquistadas, elas também agem por conta própria para cometer assassinatos sectários ou resolver disputas locais.
Algumas destas milícias decidiram que a melhor defesa é o assassinato. E de preferência, da comunidade vizinha.
Profecia
A situação não é mais simples do lado da oposição. Frustrada com a disposição do regime de atirar contra pessoas desarmadas e a relutância do mundo em intervir para impedir isso, alguns oposicionistas começaram uma luta militar paralela.
Em alguns casos, eles descobriram que a ajuda que começaram a receber de fora vinha com condições.
Diplomatas me disseram que, em pelo menos uma ocasião, isso levou outros países próximos a usarem sua influência sobre unidades militares oposicionistas para romper o cessar-fogo negociado pela ONU.
É por este tipo de incidente que Kofi Annan pediu que o grupo de interlocutores que lidam com a resolução do conflito seja ampliado.
Muito do que o governo sírio disse no princípio podia não ser verdade, mas é agora, como uma espécie de profecia que se cumpriu.
Alguns extremistas islâmicos estão atuando na Síria, com a experiência de combate adquirida no Iraque.
Eles não seguem uma liderança formal. Atuam mais como se pensassem: "Se você não é um deles, está contra eles".
Damasco foi até bastante poupada nos últimos meses pela violência, mas agora é uma cidade que vive no limite.
Grandes ataques com bombas em centros urbanos despertaram nas minorias o medo do surgimento de grupos extremistas religiosos e os levou a apoiar o governo.
Outros se aproximaram da oposição, por causa da ascensão das milícias. Mesmo gente que já foi ligada ao regime teme ser suspeita aos olhos do serviço secreto. Todos temem uma batida na porta.
Neutralidade
Um diplomata me disse que "esta é uma guerra de propaganda. Você não pode acreditar no que cada um lhe diz".
É por isso que o papel da ONU é tão crucial já que, apesar das deficiências do seu mandato atual, o mundo precisa de um olhar neutro sobre o conflito.
Na Líbia no ano passado uma resolução da ONU foi elaborada quase que totalmente com o relato de "testemunhas oculares", que afirmaram que o governo estava realizando bombardeios aéreos sobre a população.
A alegação era falsa e isso criou mal-estar entre os membros do Conselho de Segurança, dificultando que o órgão adote agora uma posição sobre o conflito sírio.
A missão da ONU na Síria faz um trabalho perigoso, mas considerado de pouca utilidade.
Algumas embaixadas foram fechadas por razões de segurança. Alguns fecharam por causa da pressão em seus países, para parecer que estavam fazendo algo.
Muitos ativistas em Damasco me disseram que esta medida revelou-se de pouca utilidade, porque agora eles não têm ninguém para dialogar.
Esses governos também contam apenas com informações de segunda mão para moldar suas política.
Iêmen
A chamada "solução iemenita" é exemplo de como a situação é complicada. Muitos diplomatas a apontam como a melhor saída: substituir o presidente e transferir o poder para alguém de um escalão mais baixo e o problema estaria resolvido.
Mas muitos partidários do regime defendem a substituição de Bashar Al-Assad por seu irmão, por considerar o presidente muito mole.
Será que o mundo realmente quer esta mudança de comando?
Por fim, qualquer solução deve lidar com os medos reais das comunidades minoritárias, e mais particularmente os alauítas, que compõe 12% da população.
Cerca 30% da comunidade alauíta é relativamente rica, dominando a burocracia do país. O restante vive em favelas e sobrevive, em sua maior parte, por causa de seus empregos públicos.
Se uma revolução busca Justiça, muitas destas pessoas devem perder o emprego. Mas o mundo já tentou uma "desbaathização" no Iraque (tirando de seus cargos membros do antigo regime) e foi um desastre.
Por mais desconfortável que possa ser, a estrutura dessa sociedade deve ser preservada e a "Justiça" pode ter que esperar alguns anos.
Essa sugestão provoca gritos de protesto de alguns membros da oposição. Mas interromper o diálogo custaria ainda mais vidas.
As minorias precisam acreditar que têm um futuro em uma nova Síria. A oposição precisa se unificar e oferecer a estas pessoas uma razão para depor suas armas e convencê-los de que não estão em uma luta até a morte. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Veja a análise:
A comunidade internacional passou muito tempo vendo o conflito sírio através do prisma de outros levantes árabes. O regime parecia apenas mais um dominó esperando para cair. O mundo enxergava então a crise em preto e branco.
O conflito complicou-se e hoje tem inúmeros tons de cinza. Além do Exército e dos manifestantes surgiram elementos novos.
A escala do levante pressiona o regime de Bashar al-Assad, que só confia em suas brigadas militares mais leais para enfrentar crises graves. O governo teme que ocorram deserções se eles pedirem aos soldados comuns que abram fogo contra civis.
Mas não havia unidades de elite suficientes para combater os focos de combate e, em seguida, manter o terreno conquistado. Então, o governo criou as milícias, ou shabiha, para essa tarefa.
Eles fizeram um alerta à comunidade muçulmana alauíta, que controla a maior parte do poder e as Forças Armadas e da qual o próprio Assad é integrante: "Esta não é uma revolução da Síria, é uma revolução (muçulmana) sunita. Fiquem do lado certo."
O governo então armou as milícias.
A maioria das pessoas que conheci na Síria acredita que, enquanto as milícias atuam em conjunto com o Exército para manter áreas conquistadas, elas também agem por conta própria para cometer assassinatos sectários ou resolver disputas locais.
Algumas destas milícias decidiram que a melhor defesa é o assassinato. E de preferência, da comunidade vizinha.
Profecia
A situação não é mais simples do lado da oposição. Frustrada com a disposição do regime de atirar contra pessoas desarmadas e a relutância do mundo em intervir para impedir isso, alguns oposicionistas começaram uma luta militar paralela.
Em alguns casos, eles descobriram que a ajuda que começaram a receber de fora vinha com condições.
Diplomatas me disseram que, em pelo menos uma ocasião, isso levou outros países próximos a usarem sua influência sobre unidades militares oposicionistas para romper o cessar-fogo negociado pela ONU.
É por este tipo de incidente que Kofi Annan pediu que o grupo de interlocutores que lidam com a resolução do conflito seja ampliado.
Muito do que o governo sírio disse no princípio podia não ser verdade, mas é agora, como uma espécie de profecia que se cumpriu.
Alguns extremistas islâmicos estão atuando na Síria, com a experiência de combate adquirida no Iraque.
Eles não seguem uma liderança formal. Atuam mais como se pensassem: "Se você não é um deles, está contra eles".
Damasco foi até bastante poupada nos últimos meses pela violência, mas agora é uma cidade que vive no limite.
Grandes ataques com bombas em centros urbanos despertaram nas minorias o medo do surgimento de grupos extremistas religiosos e os levou a apoiar o governo.
Outros se aproximaram da oposição, por causa da ascensão das milícias. Mesmo gente que já foi ligada ao regime teme ser suspeita aos olhos do serviço secreto. Todos temem uma batida na porta.
Neutralidade
Um diplomata me disse que "esta é uma guerra de propaganda. Você não pode acreditar no que cada um lhe diz".
É por isso que o papel da ONU é tão crucial já que, apesar das deficiências do seu mandato atual, o mundo precisa de um olhar neutro sobre o conflito.
Na Líbia no ano passado uma resolução da ONU foi elaborada quase que totalmente com o relato de "testemunhas oculares", que afirmaram que o governo estava realizando bombardeios aéreos sobre a população.
A alegação era falsa e isso criou mal-estar entre os membros do Conselho de Segurança, dificultando que o órgão adote agora uma posição sobre o conflito sírio.
A missão da ONU na Síria faz um trabalho perigoso, mas considerado de pouca utilidade.
Algumas embaixadas foram fechadas por razões de segurança. Alguns fecharam por causa da pressão em seus países, para parecer que estavam fazendo algo.
Muitos ativistas em Damasco me disseram que esta medida revelou-se de pouca utilidade, porque agora eles não têm ninguém para dialogar.
Esses governos também contam apenas com informações de segunda mão para moldar suas política.
Iêmen
A chamada "solução iemenita" é exemplo de como a situação é complicada. Muitos diplomatas a apontam como a melhor saída: substituir o presidente e transferir o poder para alguém de um escalão mais baixo e o problema estaria resolvido.
Mas muitos partidários do regime defendem a substituição de Bashar Al-Assad por seu irmão, por considerar o presidente muito mole.
Será que o mundo realmente quer esta mudança de comando?
Por fim, qualquer solução deve lidar com os medos reais das comunidades minoritárias, e mais particularmente os alauítas, que compõe 12% da população.
Cerca 30% da comunidade alauíta é relativamente rica, dominando a burocracia do país. O restante vive em favelas e sobrevive, em sua maior parte, por causa de seus empregos públicos.
Se uma revolução busca Justiça, muitas destas pessoas devem perder o emprego. Mas o mundo já tentou uma "desbaathização" no Iraque (tirando de seus cargos membros do antigo regime) e foi um desastre.
Por mais desconfortável que possa ser, a estrutura dessa sociedade deve ser preservada e a "Justiça" pode ter que esperar alguns anos.
Essa sugestão provoca gritos de protesto de alguns membros da oposição. Mas interromper o diálogo custaria ainda mais vidas.
As minorias precisam acreditar que têm um futuro em uma nova Síria. A oposição precisa se unificar e oferecer a estas pessoas uma razão para depor suas armas e convencê-los de que não estão em uma luta até a morte. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
Cachoeira: defesa entra com recurso no STF
Carlinhos Cachoeira está preso desde fevereiro deste anoLia de Paula/ Agência Senado
A defesa do bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, vai atacar em outra frente para tentar garantir a liberdade de seu cliente. Segundo informações da colunista Mônica Bergamo, da BandNews FM, os advogados vão pedir ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que ele seja solto.
“No Supremo esse tipo de questão tem grande chance de ter um destino diferente”, declarou a jornalista, lembrando que os advogados já tiveram o pedido negado em várias cortes. Ainda de acordo com Mônica Bergamo, “a tese de que ninguém pode ficar preso antes de ser julgado pode ser levada em consideração”.
A jornalista afirmou que, dessa forma, há grande possibilidade de Cachoeira ser solto nos próximos dias. O bicheiro está preso desde fevereiro deste ano, suspeito de liderar um esquema de jogos ilícitos.
ATUALIZA 1-Dilma defende crescimento com respeito ao meio ambiente
RIO DE JANEIRO, 13 Jun (Reuters) - A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quarta-feira a conciliação do crescimento econômico com a inclusão social e a preservação do meio ambiente. Em discurso de inauguração do Pavilhão Brasil na conferência Rio+20, ela também aproveitou para destacar conquistas do Brasil nessa área.
"Nós não consideramos que o respeito ao meio ambiente só se dá em fases de expansão econômica, pelo contrário, nós consideramos que um posicionamento pró crescer, incluir, preservar e conservar é parte intrínseca de uma concepção de desenvolvimento", disse Dilma em discurso.
"O meio ambiente não é um adereço. O meio ambiente faz parte da visão de incluir, da visão de crescer, porque, em todas elas, nós queremos que esteja integrado o sentido de preservar e conservar."
O Rio de Janeiro recebe a partir desta semana a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, chamada de Rio+20 por acontecer 20 anos após a realização da Eco92 na cidade.
O encontro não contará com a presença de líderes mundiais importantes, como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, a chanceler alemã, Angela Merkel, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron.
Ele também começa em meio a dúvidas sobre se produzirá um resultado efetivo, num momento de crise econômica internacional, que atinge principalmente países da Europa.
"O nosso compromisso é de redução da desigualdade de forma definitiva e perene e de justiça social, num momento importante para o mundo, em que nós vemos conquistas de países avançados na área da inclusão e do desenvolvimento social sofrerem um duro revés", disse Dilma.
Instalado em frente ao Riocentro, local onde será realizada a conferência na zona oeste da cidade, o Pavilhão Brasil foi colocado numa estrutura provisória, que não comportou todas as pessoas que queriam acompanhar o discurso da presidente.
Dilma aproveitou para reiterar suas críticas aos apertos fiscais que têm sido feitos pelos países mais afetados pela crise da dívida na zona do euro.
"É necessário que tenhamos a consciência que não tem desenvolvimento possível sempre na base de ajustes que só prejudicam pessoas, que só prejudicam a preservação do meio ambiente ou da biodiversidade", disse.
"Esse tipo de ajustes também não levam ao desenvolvimento econômico. Nós temos clareza que a questão da inclusão social, ou seja da distribuição de riqueza para as pessoas, é elemento crucial de qualquer política econômica em qualquer tempo."
Em seu discurso, Dilma procurou destacar conquistas ambientais do Brasil, como a queda do desmatamento da Amazônia, que no período entre agosto de 2010 e julho de 2011 atingiu seu menor nível desde o início das medições pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em 1988.
A presidente buscou colocar o país como um exemplo a ser seguido e com um papel de liderança nas discussões sobre sustentabilidade.
"Aqui (no Pavilhão) apresentamos exemplos concretos de como o Brasil vem cumprindo seus compromissos, aliás, assumidos de forma voluntária", afirmou.
"Nós soubemos, com a participação de todos os brasileiros e de todas as brasileiras, fazer muito nesses anos. E porque temos um desenvolvimento e um modelo sustentável de crescimento, nós não achamos correto mudá-lo ao sabor das crises. Pelo contrário, queremos reforçar nossas opções."
Agnelo diz ser alvo de grupo de Cachoeira e disponibiliza sigilos
BRASÍLIA, 13 Jun (Reuters) - O governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), mostrou indignação ao dizer à CPI do Cachoeira nesta quarta-feira que é vítima e não aliado do grupo de Carlinhos Cachoeira. E disponibilizou seu sigilo bancário, fiscal e telefônico para a comissão.
Por vezes com a voz alterada, ele insitiu em citar que as investigações da Polícia Federal comprovam que seu governo atuou contra os interesses da construtora Delta e irritou Cachoeira, preso desde fevereiro acusado de comandar um esquema de jogos ilegais.
E num sinal de que não teme a investigação, o petista repassou à CPI uma declaração colocando à disposição dos membros da comissão seus sigilos bancário, fiscal e telefônico.
"A decisão do governador mostra que ele não tem medo de nada que a oposição pode perguntar o que quiser", disse o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP)
"O grupo aqui investigado tramou minha derrubada. E não agiu sozinho. Valeu-se das falsas acusações plantadas no noticiário. Valeu-se de vozes com lugar nas tribunas políticas do país. Tudo com objetivo de me desgastar, me desestabilizar", afirmou Agnelo.
A exemplo do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), que prestou depoimento na terça-feira na CPI mista, o petista levou documentos para comprovar que não tinha relação com Cachoeira e tomou providências para evitar que o lobby do empresário tivesse sucesso na sua gestão.
Uma das acusações que pesam contra Agnelo é que ele teria beneficiado a Delta num contrato de coleta de lixo e conservação de limpeza no Distrito Federal.
Nesse ponto, o petista apresentou cópia de um ofício enviado antes de tomar posse ao então governador Rogério Rosso pedindo a prorrogação de contratos que fossem encerrados em dezembro de 2010 e janeiro de 2011. Segundo ele, esse ofício não abarcava a construtora Delta, que tinha vencido uma licitação para trabalhar com o lixo e a limpeza do DF por 52 meses.
O licitação em questão foi contestada pelos concorrentes da Delta, que conseguiram retirá-la da execução dos serviços. Contudo, judicialmente a construtora, que é apontada de ter Carlinhos Cachoeira como sócio oculto, conseguiu reaver o contrado com o Distrito Federal.
"A Delta tem apenas um contrato ( no meu governo). E esse contrato foi assinado no governo anterior. E ainda assim a mando da Justiça", argumentou Agnelo.
Segundo ele, os gravações divulgadas na mídia e coletadas pela operação Monte Carlo da Polícia Federal comprovam que seu governo estava contrariando os interesses do grupo de Cachoeira.
"Nos áudios há pessoas do grupo de Cachoeira me atacando. O grupo usa termos chulos contra mim", disse o petista.
"Agora compreendo porque Demóstenes entrou com pedido de impeachment contra mim em novembro de 2011", afirmou ligando a ação do senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) aos interesses de Cachoeira.
Torres sofre processo disciplinar no Conselho de Ética do Senado justamente depois que ficou comprovada sua relação com Cachoeira, de quem recebeu um telefone com linha direta e exclusiva.
"Vossas excelências que viram as investigações da Monte Carlo, podem me dizer um só nome que eu tenha noemado a pedido do senhor Cachoeira?", desafiou Agnelo.
Assim como Perillo, Agnelo trouxe para o Congresso aliados políticos, deputados distritais e secretários para garantir aplausos ao seu depoimento.
Pouco antes do início da sessão da CPI, o corredor de comissões do Senado foi tomado por gritos de manifestantes favoráveis e contrários ao governador do DF. Estudantes munidos de faixas gritavam frases como "ô Agnelo, que papelão! Tem (dinheiro) para Cachoeira, mas não tem para a educação!". Em resposta, partidários do petista gritavam "chega de mentira, deixa o homem trabalhar".
Agnelo chegou ao Senado pela garagem e permaneceu no gabinete da liderança do PT na Casa, onde também se encontravam deputados distritais da base do governador, antes de seguir à sala onde ocorre a sessão da CPI.
Polícia Federal apura o desvio de mais de R$ 100 milhões do Banco do Nordeste

No auge do escândalo do mensalão, em julho de 2005, nenhum caso chamou tanta atenção quanto os “dólares na cueca”, que levaram à renúncia de José Genoino à presidência do Partido dos Trabalhadores. Um assessor parlamentar do então deputado estadual cearense José Guimarães (PT), irmão de Genoino, foi detido pela Polícia Federal, no aeroporto de Congonhas, em São Paulo. Em suas roupas de baixo, havia US$ 100 mil em espécie. As investigações indicaram na ocasião que o dinheiro era propina recebida pelo então chefe de gabinete do Banco do Nordeste (BNB) e ex-dirigente do PT, Kennedy Moura, para acelerar empréstimos no banco. Passados sete anos, uma auditoria interna do banco e outra da Controladoria-Geral da União, obtidas por ÉPOCA, revelam um novo esquema de desvio de dinheiro. Somente a empresa dos cunhados do atual chefe de gabinete, Robério Gress do Vale, recebeu quase R$ 12 milhões. Sucessor de Kennedy, Vale foi o quarto maior doador como pessoa física para a campanha de 2010 do hoje deputado federal José Guimarães.
O poder de Guimarães sobre o BNB pode ser medido a partir da lista dos doadores de sua bem-sucedida campanha ao segundo mandato, dois anos atrás. A maior doação de pessoa física é dele próprio. A segunda é de José Alencar Sydrião Júnior, diretor do BNB e filiado ao PT. A terceira é do também petista Roberto Smith, presidente do banco no período em que ocorreram operações fraudulentas e hoje presidente da Agência de Desenvolvimento do Estado do Ceará, nomeado pelo governador Cid Gomes (PSB). O atual presidente do BNB, Jurandir Vieira Santiago, vem em 11º. Eleito para a Câmara Federal pela primeira vez em 2006, com a maior votação do Ceará, Guimarães ganhou poder na Câmara. Tornou-se vice-líder do governo e passou a ser amplamente reconhecido como o homem que indicava a diretoria no Banco do Nordeste. No disputado campo de batalha da política nordestina, o BNB é território de José Guimarães.
O novo esquema de desvios e fraudes no banco nordestino segue um padrão já estabelecido na longa e rica história da corrupção brasileira: o uso de laranjas ou notas fiscais frias para justificar empréstimos ou financiamentos tomados no banco. Assim como na dança de dinheiro dos tempos do mensalão, as suspeitas envolvem integrantes do PT. Um levantamento feito por ÉPOCA mostra que, entre os nomes envolvidos nas investigações da CGU e da Polícia Federal, há pelo menos dez filiados ao PT. Apresentado ao levantamento e aos documentos, o promotor do caso, Ricardo Rocha, foi enfático ao afirmar que vê grandes indícios de um esquema de caixa dois para campanhas eleitorais. “O número de filiados do PT envolvidos dá indícios de ação orquestrada para arrecadar recursos”, afirma Rocha.
A maioria das operações fraudulentas ocorreu entre o final de 2009 e o início de 2011. Somados, os valores dos financiamentos chegam a R$ 100 milhões, e a dívida com o banco a R$ 125 milhões. Só a MP Empreendimentos, a Destak Empreendimentos e a Destak Incorporadora conseguiram financiamentos na ordem de R$ 11,9 milhões. Elas pertencem aos irmãos da mulher de Robério do Vale, Marcelo e Felipe Rocha Parente. Segundo a auditoria do próprio banco, as três empresas fazem parte de uma lista de 24 que obtiveram empréstimos do BNB com notas fiscais falsas, usando laranjas ou fraudando assinaturas. As empresas foram identificadas após a denúncia feita por Fred Elias de Souza, um dos gerentes de negócios do Banco do Nordeste. Ele soube do esquema na agência em que trabalhava, a Fortaleza-Centro, e decidiu procurar o Ministério Público, em setembro do ano passado. “Sou funcionário do banco há 28 anos. Quando soube do que estava acontecendo, achei que tinha o dever de avisar o MP”, diz. O promotor Rocha, depois de tomar conhecimento do teor e da gravidade das denúncias de Souza, chamou representantes do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União para acompanhar o depoimento.

Em um dos casos, fica evidente o aparelhamento político do banco por membros do PT. Souza denunciou a existência de um esquema chefiado pelo empresário José Juacy da Cunha Pinto Filho, dono de seis empresas que obtiveram mais de R$ 38 milhões do Banco do Nordeste, em recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE), entre 2010 e 2011. Para conseguir financiamentos para compras de máquinas e veículos, foram apresentadas notas fiscais falsas, segundo o Relatório da CGU. Tudo era feito com a conivência de funcionários das agências bancárias e de avaliadores do banco. No caso da empresa Flexcar Comércio e Locação de Veículos, o então gerente de negócios da Agência BNB Fortaleza-Centro, Gean Carlos Alves, afirmou em laudo ter visto os 103 carros financiados pelo banco. Fred de Souza afirmou em depoimento que uma fiscalização identificou apenas 33. Segundo a investigação, Alves alterou os registros referentes aos gravames (documentos de garantia da dívida) dos veículos para liberar quase R$ 3 milhões para a Flexcar, aceitou notas fiscais falsas e falsificou o e-mail de um colega. Segundo o depoimento de Fred de Souza, Alves liberou R$ 11,57 milhões para três empresas de Pinto Filho usando uma senha dada pelo controle interno do banco e pela Gerência-Geral da agência. A gerência é ocupada por Manoel Neto da Silva, filiado ao Partido dos Trabalhadores.
Outras duas empresas de Pinto Filho obtiveram empréstimos em outra agência de Fortaleza, a Bezerra de Menezes, cujo gerente-geral é José Ricáscio Mendes de Sousa, também filiado ao PT. Segundo o depoimento de Souza, foi Mendes de Sousa quem atraiu Pinto Filho para realizar negócios com o banco. A sexta empresa de Pinto Filho envolvida no esquema, segundo as auditorias, é a JPFC Empreendimentos, que apresentou notas falsificadas para justificar um empréstimo de R$ 2,9 milhões. As notas foram assinadas por Antônio Martins da Silva Filho, filiado ao PT de Limoeiro do Norte, cidade cearense de onde chegaram à PF outras denúncias envolvendo o BNB, em dezembro último.
A investigação da polícia está sob segredo de Justiça, mas ÉPOCA obteve com exclusividade o depoimento de José Edgar do Rêgo, funcionário do banco há 32 anos. Desde março de 2010, Rêgo é gerente de negócios do Programa Nacional de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf), coordenado pelo banco, em Limoeiro. Ele delatou um esquema, investigado pela PF, em que os beneficiados pelas linhas de crédito do banco não eram agricultores, mas motoqueiros, frentistas, professores municipais e taxistas. Tudo ocorreu em 2010.
Empréstimos do BNB eram pedidos e autorizados por membros do PT, citados na denúncia
Os projetos aprovados pelo banco eram apresentados por dois sindicalistas: Sidcley Almeida de Sousa e Francisco César Gondim. Ambos são filiados ao PT da cidade de Tabuleiro. Em suas visitas ao BNB de Limoeiro, eles eram sempre acompanhados pelo vice-prefeito de Tabuleiro, Marcondes Moreira, também do PT. Apesar das irregularidades na identificação dos beneficiados, os projetos eram aprovados. Entre os citados por Rêgo como envolvidos na aprovação dos projetos ainda estavam outros dois filiados ao PT: Ariosmar Barros Maia, da cooperativa técnica de assessoria e projetos, e Samuel Victor de Macena, que avaliou em R$ 180 mil imóveis cujo valor, medido pelo banco, não passam de R$ 53 mil. Os imóveis foram colocados como garantia dos empréstimos.
No meio de seu depoimento à Polícia Federal, foi questionado sobre a empresa Emiliano Turismo, investigada pela PF. Disse que “era de conhecimento público em Tabuleiro que a empresa Emiliano Turismo trabalhava como cabo eleitoral para os então candidatos a deputado estadual e federal Dedé Teixeira e (José) Guimarães, ambos do Partido dos Trabalhadores”. O deputado Guimarães nega qualquer tipo de relação com a Emiliano.

Rêgo disse ainda que a Emiliano Turismo montava projetos para ser aprovados pelo Pronaf. Ele afirma ter detectado falsificações em assinaturas do projetista José Ivonildo Raulino, em projetos apresentados pela empresa. Alguns deles foram aprovados pelo gerente-geral da agência, José Francisco Marçal de Cerqueira. Devido ao grande número de projetos do Pronaf na agência de Limoeiro, Marçal determinou que funcionários trabalhassem nos fins de semana. Alguns contratados passaram a ter a senha de Rêgo, gerente de negócios do Pronaf, para liberar os recursos quando ele não estivesse presente. Um deles era Otávio Nunes de Castro Filho, filiado ao PT. Ainda segundo o depoimento de Rêgo, Marçal autorizava e Isidro Moraes de Siqueira, então superintendente do banco e atual diretor de Controle e Risco, tinha conhecimento do que ocorria. Siqueira afirma que, informado das irregularidades, acionou a auditoria interna do banco. O maior responsável no banco pelos recursos do Pronaf é outro petista, indicado pelo deputado Guimarães: José Alencar Sydrião Júnior, diretor de Gestão do Desenvolvimento do banco, setor responsável pela liberação dos recursos do programa, e segundo maior doador da campanha de Guimarães.
O Ministério Público, Federal ou Estadual, ainda não recebeu o relatório da CGU nem a auditoria interna do BNB. A quebra de sigilos bancários dos envolvidos tampouco foi autorizada pela Justiça. Uma discussão judicial quanto à competência das esferas estadual ou federal para apurar as denúncias também postergou os trabalhos de investigação. Após várias idas e vindas, atualmente o processo está nas mãos do promotor do MPE Ricardo Rocha.
O atual presidente do BNB, Jurandir Vieira Santiago, assumiu o cargo em junho de 2011. Sua última administração também é alvo de uma investigação, que no Ceará ganhou o nome de “escândalos dos banheiros”. Até assumir a presidência do banco, no meio do ano passado, Jurandir era secretário das Cidades do Estado. O TCE investiga um esquema de superfaturamento na construção de banheiros em comunidades carentes no interior do Ceará. Alguns envolvidos já foram intimados a devolver R$ 164 mil aos cofres públicos.
O deputado Guimarães nega ter conhecimento das irregularidades e repudia qualquer envolvimento de seu nome relacionado a desvios de recursos no Banco do Nordeste. Ele diz que o ex-presidente Roberto Smith foi indicado pelo PT do Ceará com sua anuência. O comando do BNB diz nunca ter sido omisso quanto às irregularidades e que vários dos envolvidos foram demitidos. Robério do Vale, chefe de gabinete, afirma que sua função não interfere no processo de concessão de crédito. Ele diz que o banco deve apurar as irregularidades e punir os responsáveis. O ex-presidente do banco Roberto Smith diz não ter tomado conhecimento do relatório da CGU nem das conclusões da auditoria interna, por estar fora do banco desde 2011. Afirma que, no final de seu mandato, recebeu denúncia de desvios de crédito e encaminhou para a auditoria.
O promotor Rocha pediu ao banco que providenciasse segurança a Fred de Souza, autor da maior parte das denúncias. Souza recusou. Desde então, escapou de um tiro na rua e foi perseguido por motos duas vezes. Souza foi transferido de horário e função. Hoje, trabalha da meia-noite às 7 horas, avaliando o trabalho de atendentes do Serviço de Atendimento ao Cliente do banco. Ali, até o momento, não identificou nenhuma irregularidade.
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